27 Maio, 2008

Não sei que porra de fase de vida é essa. Diferente dos games, não há revista que ensine a passa-la

Tudo vai melhorando, as coisas se ajeitando e o horizonte ficando bonito, mas no meio da história o protagonista começa a pirar num conflito interno brutal e inconscientemente se rebelar, tornando-se mau por opção, divertindo-se da arrogância adquirida e num piscar de olhos está à se remoer em remorsos e culpas.

Numa busca por liberdade, torna-se escravo e percebe tarde demais que o estrago foi grande e terá que voltar do zero. Qual será o final?

Esse game, terei que detonar sozinho.

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17 Abril, 2008

Em que fase da vida o homem começa ouvir Bruno & Marrone, Chrystian & Ralph e afins?

Medo!

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02 Outubro, 2007

Deixei isso de escrever para os profissionais. A onda agora é ler, ler e ler.
A biblioteca está crescendo rapidamente, já somam 342 volumes de boa literatura. Livros amarelados e mal-cheirosos são meus preferidos, desde que a letra negra forme mais que simples palavrórios. Venho descobrindo coisas novas, doce vício que me deixa de olhos vermelhos. Que as retinas derretam, que as córneas queimem e que os cílios caiam de tanto esfregar os olhos. Ler até o cérebro entrar em colapso e eu partir na luta contra moinhos de vento. Ler, ler e ler.

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28 Agosto, 2007

DOIS MESES????

Mas não vai ser hoje ainda. Não estou no clima para bobagens, estou ficando /elho, ranzinza, mau humorado, em suma: um tremendo chato de galochas.

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28 Junho, 2007

Pressa...

Acorda atrasado, esquece da reunião, faz a barba as pressas em baixo do chuveiro mesmo, vê cara feia no escritório pelo atraso e percebe depois da reunião que deixou um tufo de barba bem no meio do queixo...
Eita semana...

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29 Maio, 2007

Relações

Para quem ainda não acredita na relação promíscua entre governo e imprensa.

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24 Maio, 2007




João mentiroso era o apelido do meu papagaio. Sua inteligência não era muito avançada e contava mentiras tão desconexas que era até engraçado. Gostava de ouvi-lo, pois além das histórias que contava era muito brincalhão.

Meu cachorro que chama-se Freddo acabou por matar-lo. Não o culpo, pois este querendo com uma imitação assustar um outro João, o João de Barro que ciscava pelo quintal, errou a mão ao imitar um gato bem ao focinho de Freddo.

Freddo, um Fila de quase 100kg chorava copiosamente ao lado do cadáver todo babado daquelas babas que só os filas tem. – Foi o instinto, dizia ele, não foi por querer. Coitado do Freddo irá carregar essa culpa pelo resto da vida.

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17 Maio, 2007

Agora que me demiti do abobra, do vocatus e do veiodatoca, posso dedicar um tempinho a mais aqui. Mas nem vou me iludir, ainda tenho a senha de todos os blogs e aquela famosa dificuldade para abandonar os vícios.

A salvação é o Velho me dar um ban forever.

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14 Maio, 2007

O vinho...
Nariz escorrendo, febre e calafrios.
Garganta, olhos e ouvido numa merda só;
fim de semana de cama.
Dois dias é pouco
e hoje já é segunda

Ohhh merda....

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11 Maio, 2007

Um belo dia hoje.

Sexta feira fria e límpida, ótimo para tomar um vinho, comer bem e namorar debaixo do edredom. O verão já foi, basta agora passar essas 6 horas que me separam do fim de semana.

Se o Coxa estrear com vitória pelo campeonato brasileiro no sábado então, melhor ainda.

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03 Maio, 2007

Telefone que toca de madrugada nos dias de hoje é mau presságio. Não tem como ignorar, então levanto para atender.

Do outro lado da linha, uma voz embriagada e festiva me causa certo alívio (que mundo esse, meu Deus)
-Alô, pedro? Pergunta o bebum
-Não. Respondo de mau-humor.
-Ah, é você seu viado. Chama o Pedro pra mim.

Resolvo brincar um pouco com o infeliz, para compensar o sono perdido.

-Então tú não tá sabendo ainda? O pedro tá preso, em cana.
-Hã???
-Tá em cana, bicho.
-E a lúcia?
-Tá no hospital ainda. Ele quase matou ela.
-hã?
-Pegou ela em flagrante e perdeu a cabeça.
-Explica direito cara.
-Faz o seguinte, eu tô indo no hospital,é lá no cajuru, no Pronto Socorro. Vai pra lá que conversamos melhor. Tenho que ir agora.
-Tá... Tô indo pra lá também.
-Até mais então.
-Tchau.

Deixo o fone fora do gancho e volto a dormir.

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20 Abril, 2007

A dificuldade de se desligar.

Procure um ambiente calmo, coloque uma boa música e procure relaxar. Tente não pensar em nada. É quase impossível, seu cérebro vai te trair a cada instante e vagar no passado e no seu por vir. Não desista, tente não pensar em absolutamente nada. Para os principiantes vale separar o som de cada instrumento da música que rola, na harmonia do oboé com a base do baixo e a levada do violino. Recomendo de preferência uma orquestra, pois são mais componentes e mais calmo. Após alguns instantes de relaxamento a viagem começa ao ritmo da música por um mundo sem palavras nem imagens, só sons e sentidos e logo vem a paz junto do sono dos justos. Pronto: Você dormiu.

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17 Abril, 2007

video de celular, feito pelo estudante da Virginia Tech, Jamal Albarghout


nesse link tem mais alguns vídeos

Alguém sabe qual o blog do atirador asiático?

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05 Abril, 2007

Se não há nada a ser dito, cale-se

Por estes dias só tenho pensado em números, cálculos e no bendito momento fletor. Assuntos deveras desinteressantes para se postar por aqui.


Passemos as provas primeiro, depois conversamos.

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30 Março, 2007

Expectativa de vida do Curitibano

Todo o dia, quando recebo o jornal em casa, minha primeira providência é abri-lo na lista obituária. Pego uma caneta, calculadora e agenda e vou para o banheiro em minha missão secreta de somar a quantidade de anos e dividir pelo número de defuntos listados e anotar na agenda enquanto dou a cagada matinal.

Hoje tirei a expectativa média mais baixa deste ano: 58,8 anos. A menor taxa anterior era de 59,02. Analisando melhor a lista contatei que uns poucos jovens puxaram a média pra baixo, gurizada de 15 à 25 anos (malditas drogas) e a maioria restante é composta por velhos.

TOC-TOC-TOC
- Que tanto demora nesse banheiro? tô atrasada já! Não sei se banheiro é lugar de fazer contas. (um banheiro só na casa é foda)
- O Dólar mulé. Onde vai parar será hein?
- Sei não. Anda logo!
- E o Risco-Brasil, hein. Será que o Severino Cavalcanti tem algo haver com isso?
- Credo, as vezes você parece doido! Sai logo!

Tava bem nervosa já. Ela odeia se atrasar.
Nesses quatro meses anotando obituários aprendi que sextas-feiras e sábado é o dia que mais morre gente, melhor não abusar. Dei a descarga e saí.

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29 Março, 2007

comments comentados.

Vai ver esse texto do Worm é só pra mostrar como os vícios são mais fortes que o bom senso.
Zé | Homepage | 03.28.07 - 7:24 pm | #
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bingo. Isso tudo porque percebi que adquirí mais um vício estúpido ao tentar resolver essas merdas. O que seria a solução se torna mais uma porra de vício nessa lista.

Se tivesse bom senso, não teria me aproximado das anfetaminas.

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Quase perfeito

Coxa ganhou, atlético perdeu
Agora é torcer por uma derrota do Paraná.

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28 Março, 2007

Acho que sei como parar de fumar, mas não consigo;
Acho que posso abandonar a cerveja, mas não posso;
acho que posso acordar mais cedo e caminhar, mas não acordo;
acho que posso produzir mais no trabalho; mas tenho preguiça;
acho que posso estudar mais,mais preguiça;
acho que posso escrever melhor, mas não posso;
acho que posso administrar melhor meu dinheiro, mas gasto como um idiota;
acho que me conheço, mas me surpreendo.

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23 Março, 2007



Existem alguns artistas que nos transportam à sua dimensão de criação quando em contato com sua arte. Coisa que só a arte pode fazer. Tomei gosto com essa viagem ainda cedo com um livro (O Velho e o Mar, do Hemingway). Essa capacidade de transmitir sentimentos é que considero o separador entre arte e comércio. Não sou nenhum erudito e nem tenho capacidade de julgar nada, é meu gosto e só.

Sou tão idiota que às vezes confundo ou procuro associar a obra com a vida do autor, acho que é um mecanismo a mais que criei para identificar vernizes, e identificado logo rejeito o conjunto vida e obra do sujeito. Besteira, mas é assim.

Há, porém alguns personagens que já não estão mais presentes para desmistificar a imagem já criada e oque se sabe é oque se fala, mas sua obra me leva a uma concepção que julgo inequívoca de sua vida, sua real intenção ao produzir, sua expressão perfeita de visão de mundo. Hemingway é um deles, mas não é sobre ele que quero falar.

Não foi o maior como artista, acho que Chopin era melhor, pianista acho que Liszt foi o maioral, mas gênio maior que Ludwig Van Beethoven não existiu nunca. Quem é capaz de resgata-lo abruptamente de seu ambiente e o colocar, apenas pela música dentro de sua mente de artista? Beethoven e ponto.

Mozart com o a missa Requiem também transporta, mas para um cenário imaginado, já Beethoven passa de forma única seu amor através da Moonlight Sonata, SUA angústia, esperança, liberdade e alegria com a 9ª Sinfonia. A Belíssima 3ª - Heróica. Some-se a isso os registros de sua conturbada vida. O artista perfeito.

Certo é que pouco se sabe, e como já falei, muito de sua biografia é demasiadamente mistificada. Isso é ruim? Sim, pois a verdade deve sempre prevalecer e não, pois tal mito gerou o mais perfeito músico que o mundo já viu, e a revista caras não vai mostrar meu ídolo na ilha, descalço e com pés de barro.

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12 Março, 2007

TATARANA 04.



Veja o senhor quantos tipos de animais há neste mundo. Pensou no montão deles? Pois lhe digo: Todos foram feitos para servir o homem. Com exceção do cachorro, não acho muita graça em quase nenhum. Vejo o frango, leitão e bezerro como comida posta à mesa, saiba. Outros deles tem outras utilidades como no leite, nos ovos, nas penas, couro e ossos. Outros, mais desgostosos e inúteis são bons para fazer mira de cartucheira e só.

Verdade que tenho menos raiva nos bichos que mamam. Me lembram gente. Gosto eu de gente humana? Toleima! Gosto do cuidado que os mamíferos tem com os filhinhos. Tem a galinha também que quando com os pintinhos debaixo da asa, vira besta-fera mais que cão para protege-los. Muito zelosa.

Deve haver outros assim; não mamíferos zelosos e mamíferos ruins, feito o Leão que come os filhotes feito fosse jacaré. Vai saber. Idéias de Deus. Nunca nem não vi leão nem jacaré. A bem da verdade, nunca vi nem Deus também. Às vezes sinto no vento e no tempo algo de diferente. Pare e sinta o senhor, esse vento é habitado pelo dito, o pé sujo, creia o senhor que o demo ta ai, assoviando nesse vento quente. O tempo também vai agindo em favor dele, não acha? Então me dá razão?

Isso do tempo é que de mais verdade há. O bebezinho bonito pode ser a imagem e semelhança de Deus, mas ele cresce e vira leão. Todos nascem bonitinhos, mas o tempo fode tudo, creia. Menos o jacaré e a cobra que já nascem na esquerda.

Senhor mire em mim e veja: Já fui bebê um dia, acredita? Até coroinha de igreja fui. Minhas primeiras maldadezinhas ficam numa data muito longe. O tempo me fez assim, duro. Essas minhas mãos levaram tempo para ficarem assim, tão enormes de grandes feito são, tão peludas e ásperas e sabe porque ficaram assim? Lhe digo já. É pra modo de ornar com essa cara ossuda e grande que tenho, com esses olhos que não refletem luz alguma e só fazem enxergar minha estampa medonha no espelho, e se amargurarem ainda mais. Mas não digo que sempre fui assim. É o tempo.

Não falei nada ainda, mas acho que agora chega dessas suas lengas de reza né homem. Começa a me irritar, e não é da intenção perder a paciência com voismecê. Já viu veado rezando nas garras da onça? Pois digo que se rezasse, iria ser a mesma coisa. A onça ia começar a desossa dele ainda vivo e a dor igualmente medonha. O senhor não se engane. Escute e guarde: Deus gosta de matar. Não gosta muito de mim, é verdade, pois meus métodos não causam dor e essa aqui, forjada em aço puro e mais um tiquinho de pólvora é aquela que manda o cabra pros quintos dos infernos por não lhe dar tempo para o arrependimento. Sozinha nada faz. Depende de mim no manejo, na recarga e no gatilho. É minha vontade que prevalece e não a dela.

Acho que já dei tempo o suficiente para tudo, não acha? Mais creia que ainda há uma réstia de bondade cá dentro de mim. Vou deixar que parta um pouco mais esclarecido.Vou lhe mostrar cá que Deus não existe. Nem atirar em voismecê não vou. Basta você orar com fé quando eu lhe amarrar a boca desse saco aqui na perna. Aqui dentro há uma cascavel média e pode ser três coisas: Ela te pica e você morre, ela pica e você não morre ou ela não pica. Nas duas ultimas, você volta para casa. Palavra de honra.

Deixe que lhe tiro as botas. As mãos não precisa desamarrar. Agora estique as canelas cá pra dentro logo senão ela foge e lhe tiro o couro vivo, homem. Isso. Mas que cara é essa? Já Picou? Não digo que este é um bicho da esquerda mesmo. Bicho mais abençoado. Eita que picou de novo é? Mais uma? Ta brava mesmo. Pelo visto você não volta para casa. Pelo menos vivo não. Então ande rezar homem. E não faça dessas caras que dá num morto muito feio. Se alegre e pense que só se vê Deus quando o coração para. Isso.

Coração parado, mas dizem que esta cabeça demora um pouco mais para parar, então, antes de lhe fechar os olhos quero lhe ensinar mais uma: A mentira, a gente aprende com o tempo também. Quem é o pai da mentira, hein? Você pisou num ninho de cobras, meu amigo. Sua mulher vai chorar, eu vou chorar abraçado nela e dar toda assistência que uma viúva precisa. Uma pena você não ver. Ah. Ninho sim. No saco não há uma cascavel pequena, mas seis grandes demônios que me lavam as mãos de qualquer culpa. Até a cobra é feita para servir o homem, não lhe falei.

Agora desamarro as mãos assim, tiro o saco do pé e livro essas pestes para matarem livres por ai e amanhã venho te encontrar por acaso, ai te levo para tua casa, choro um pouco, te enterro e parto para a cama da sua esposa, ok?

Agora feche os olhos e cobre contas de Deus. Adeus!

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07 Março, 2007

Mickey Mouse dos Infernos



Entrou sem ser convidado e com a inconveniência de se passar da meia noite. Foi direto para meu quarto o desgraçado.

Desaforo deste não aceito. Armei-me com um porrete, tranquei a porta com ele dentro e comecei vasculhar cada canto do quarto. Ah se te pego. Procura aqui, procura lá e nada do desgraçado aparecer. Começo a tirar as coisas do quarto enquanto a mulher vigia a porta com uma vassoura. As horas passam, quarto quase limpo e nada do mickey mouse aparecer. "-Deve ter entrado no guarda roupas". Tira peça por peça do guarda roupas, sacode e o bicho nada. Desisto.

Volto o colchão para o lugar, vou fechar a janela e lá esta, atrás da cortina. Foi mais rápido do que eu. Pulou para fora livre e em segurança. Naquele focinho amaldiçoado jurei ver um sorriso.

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04 Março, 2007

04/03/2004 -1982



Entrei no quarto e lá estava ela, dormindo muito bonitinha ao lado da mamãe. Peguei no colo ainda um pouco desajeitado, o que rendeu um começo de choro, um resmungo. - Calma filha... Nhéééé.. foi nossa primeira conversa. Devolvi-a ao colo da mãe e acalmou-se. Abraçei as duas e dei um beijo carinhoso na esposa. - Seu presente de aniversário, diz ela.

O melhor presente da minha vida faz três anos agora.

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01 Março, 2007

Desmentindo-me

Semana passada conheci um lado muito cruel da pobreza, que ainda sem ser extrema é chocante. Não ignoro a existência de miseráveis, mas um contato prolongado com o sujeito desfez minha raiva expressa no post anterior. Senhor trabalhador e honesto, pai de sete filhos pequenos que só peca pela ignorância. Boa pessoa, mesmo a contragosto simpatizei com ele e a mulher, os filhos bonitinhos e educadinhos. Não queria simpatizar com ninguém, a empatia me judia.

Com a nova casa, doada de papel passado e tudo, ficaram todos felizes, sentiu-se reconhecido e tal. Fico contente que pelo menos nisso de morar com dignidade eu pude ajudar. Mas a alegria não vai mudar em muito o estilo de vida que levam, encher o estômago daquelas crianças ou dar emprego ao sujeito, penso.

Não posso fazer muita coisa mais, a não ser resolver por uma semana ou duas com algum dinheiro o problema da fome. O cidadão tenta manter alguma dignidade recusando minha oferta. Toda suja, uma pequena da idade de minha filha, que dormia no chão sob um tapete imundo acorda chorando: fome. Resignado ele volta atrás e aceita o dinheiro.

Resolvido tudo volto para casa e vejo minha filhota dormindo no tapete também. Adormeceu em meio aos brinquedos. Lembro da outra criança. Quando ela acorda, minha esposa pede a pizza (sábado é dia de pizza). Não consigo comer. Não desce. Será que aquela outra um dia comeu uma pizza? Quando eles podem beber uma coca-cola? Vejo minha filha feliz e faceira, comendo e “tratando” da bonequinha. Não sei oque pensar. Apenas abraço-a e uma lágrima me foge sob o olhar atônito da mulher.

Não é a pizza e coca cola que me incomodam. É pensar em como aquelas crianças crescerão. No ambiente em que vivem, que valores irão carregar? Com quem irão se envolver? Qual será o futuro delas? Fico pensando: O que posso fazer? Como? Um milhão de idéias me aparecem e desaparecem. Não sei.

No domingo acordo bem, e o passado já não é assunto. Às vezes as idéias vinham e eu me furtava delas. Vida que segue, a tradicional indiferença e egoísmo de volta.

Domingo bonito, churrasqueira acessa e cerveja gelando. Quem não comeu um pedaço de pizza na véspera agora se regalaria numa picanha.

Mas o pensamento que eu procurava evitar, convencendo-me da minha impotência se materializa e bate palmas no meu portão. No canto do gramado, em meio ao monte de bugigangas que separava para jogar no lixo, estava visível um ursinho de pelúcia, um brinquedo do recém finado poodle da minha filha. Uma menina de pouco mais de três anos me pedia o ursinho todo mordido e destruído.

Bestamente tento tirar a menina dali.

- Mas ta todo estragado fía.

- Não faz mal, tio... Eu nunca tive uma boneca... dá pra mim?

Que foda! Não daria aquele ursinho fedido do cachorro para ela. Entro em casa, pego uma das bonecas da minha filha e mais um pacote de bolacha para dar a ela. Minha pequena protesta “É MINHA boneca pai!”. Uma conversa a comove, ela tenta regatear e dar uma sem braços e pernas, mas por fim aceita dar a bonequinha. Embora ainda um pouco contrariada, vai pessoalmente entregar o brinquedo para a outra com cara de poucos amigos. Na face da pequena pedinte o sorriso contrasta com seus olhinhos tristes, agradece (educadinha ela) e volta correndo para perto da mãe que recolhe no carrinho alguns papelões numa lixeira mais adiante e logo somem de vista.

Comi minha picanha, bebi minha cerveja, mas não me furtei mais às idéias. Embora não tenha a mínima noção do que fazer de concreto. Só sei que é preciso fazer algo. Talvez a menina já tenha perdido a bonequinha e com certeza o dinheiro que dei para o outro também deve de ter acabado e todos estão como dantes. Preciso pensar em algo duradouro e eficaz. Dinheiro não tenho, sou pobre também. Não sou antropólogo, sociólogo nem santo. Mas deve ter algo ao meu alcance. Não sei. Por enquanto venho apenas revendo os meus valores e os que passo à minha filha. Penso que é um bom primeiro passo.

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22 Fevereiro, 2007

Se você dá esmolas, incentiva a mendicância, que é um sinal claro da falta de dignidade humana. O bolsa família escasseia mão de obra em diversos lugares, o povo recusa trabalho porque é mais cômodo viver com os noventa reais. Sem esforço algum.

Tá. Estou generalizando.

Se você se encarregar de dar uma cesta básica mensal durante 1 ano para alguém, pode ter certeza que ao final desse prazo você terá uma má imagem perante o miserável vivente, que se considerará roubado no seu "benefício de direito adquirido".

Estou igual a negro skinhead, ou seja, pobre com raiva de pobre. Não é o pobre em sí que me dá raiva mas sua ignorância. Odeio gentinha chucra, ignorante, cega e medíocre.

Na minha falta de vivência e experiência, me assusto com os "rompantes malígnos" dos mais velhos, que não se importam com a situação desses miseráveis e não aceitam que suas querelas interfiram nos seus negócios. Tento ajudar e só ganho uma coisa: Experiência. Esses "velhos sem coração" estão certos. Mostre qualquer boa-vontade e de pronto lhe tentarão montar à cavalo.

Raça mais filha-da-puta que só presta para pular carnaval. País filho da puta que dá razão a eles em nome do "direito social" e eu, um grande filho da mãe por me importar com essa gentinha.

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09 Fevereiro, 2007

Dos meus escritos.

Faz algum tempo que venho tentando combater alguns vícios na escrita. Relendo os textos mais antigos (que prometi que ia postar aqui) e comparando com os atuais, percebo alguma melhora sim, mas muito pouco.
Meus textos me dão a impressão de serem compostos de manchetes de jornal. Cada parágrafo carrega consigo uma pequena história e obrigatóriamente tem final forçoso. fica mais ou menos assim:

"Ídolo da torcida faz 15 gols e morre no final da partida;"

"Fãs emocionados acompanham velório do ídolo e promovem quebra-quebra durante o enterro."


Venho tentando me livrar disso, desenvolver melhor, trabalhar com cenários e paisagens, expressões corporais dos personagens e lidar com um número maior de personagens na mesma história. Muitas vezes perco uma boa idéia por jogar o desfecho logo no primeiro parágrafo, ai fico inventando outras situações e tal. Alguns ficam razoáveis, mas nunca como eu imaginei antes de escrever.

Para dar um exemplo básico: O velho desenvolve a situação toda, cria a expectativa, acrescenta fatos e dá o desfecho só quando amarrou tudo. Simples e bem feito. Claro que o objetivo não é plagiar a forma de ninguém, é desenvolver a minha, mas acho que a regra é sempre começo-meio-fim.

O tatarana é um exercício. Com oito capítulos já escritos, começo a notar que a idéia original já se foi e, se quiser continuar é preciso criar novos fatos. Os capitulos já não tem harmonia entre sí. Por isso, vou reescreve-lo, unindo tudo em um só.

Outro dia, alguém me chamou de pedante. Vá lá. Vou cuidar para não ser, mesmo tendo a desfaçatez de submeter estes escritos toscos à grande banca avaliadora do abobra e vocatus enquanto me debruço sobre um livro de português da 5º série para ver se entendo algo sobre verbos, tempos, pronomes e essas coisas todas. Sempre fui péssimo em português. Conclui o 2º grau sem saber oque é ditongo ou hiato ou a diferença entre "oque / o que". Concordância então, nem tenho idéia do que vem a ser. Por isso tenho a humildade de não alardear qualidades que não tenho.

Certo é que ler e escrever para mim sempre foi muito prazeroso. Não tenho pretensão de ser escritor, colunista nem nada. Um texto bem pontuado, sem excesso de vírgulas, coeso e interessante é meu objetivo, além claro de me divertir e quiçá, agradar alguns leitores.

e assim caminhamos.

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08 Fevereiro, 2007

CURSO ERRADO

Bem avisou o bigode que as festas com ninfas eram lendas. Apenas duas mulheres na sala. Uma é velha e baranga outra nova e feia demais.

Estive espiando a sala do curso de moda, estilismo ou sei lá como chamam esse de ensinar a costurar... ahhhh.. o paraíso das ninfas virgens.

Me deu vontade de mudar de curso. Olhando bem, melhor não, os poucos "homens" que ví na sala são bem estereotipados à la Clodovil. Fico quietinho na engenharia mesmo, na minha. Melhor cruzar com elas no intervalo do que acabar tendo que fazer trabalho em dupla com uma bicha louca. Além disso, fico imaginando papai contando pros amigos no boteco. "Meu filho tá se formando em corte e costura"

O bom da história é que o tempo pra escrever que me falta no trampo ou em casa sobrará lá. Ou não.

Ps. Tatarana 4 no fim do dia

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07 Fevereiro, 2007

AGORA VAI!

Hoje acordei mais cedo, fiz a barba e coloquei uma roupa mais bacaninha. Engraxei as botas, fiz a barba e até escovei os dentes e troquei de cuecas. Ahhh.. volta as aulas.

Nem acredito que terminei a porra do 2º grau. Sete anos para sair de lá e finalmente sentarei no banco de uma faculdade. Mamãe está toda contente.

Certo é que o cérebro já se acostumou com a letargia, mas é preciso perseverar no objetivo e ir até o fim. Quero sair de la diferente de como entrei, e se não for mentira e realmente existir destas festinhas que dizem rolar por lá me faz pensar. Finalmente vou comer alguém.

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30 Janeiro, 2007

Diarinho

 

Limpando a papelada em casa, encontrei um monte de textos antigos. Desde cartinhas escritas para a namoradinha da terceira série até o ultimo ano escolar. Vou dar uma selecionada e postar aqui.

O legal de ler estas coisas antigas é lembrar a ocasião em que foi escrita, porque daquilo e ver como sempre fui besta.

Se minha mãe tivesse lido oque eu escrevi com 11/12 anos, ela com certeza tinha me internado. Talvez ela até tenha tentado ler, mas, oh garrancho, viu!!!

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25 Janeiro, 2007

PAN 2007



Falta de patriotismo ou apenas um chato ranzinza? Sei lá, só sei que nos últimos dias venho torcendo para que os Jogos Panamericanos Rio 2007 sejam de um total fracasso.
Se ao menos as obras se mantivessem dentro dos orçamentos, vá lá. Mas a um país fracassado como o nosso se dar ao luxo de gastar quase R$ 6 bilhões numa porra de pseudo-olimpíadas já é demais. Tais custos, guardadas as devidas proporções, são equiparáveis ao orçamento da Grécia com as Olimpíadas e da Alemanha com a copa. A diferença é que lá os jogos geraram lucros e quem investe, na sua maioria, é a iniciativa privada. Aqui, com 800 milhões ficaria no 0x0, que dizer dos 6 bilhões retirados do bolso do contribuinte?
Isso servirá apenas para mostrar ao mundo nossa incompetência para orçar, executar e fiscalizar um evento destas proporções.
Os turistas lembrarão dos assaltos constantes e falta de infra-estrutura. O Povo lembrará do prejuízo e os esqueletos das obras inacabadas estarão lá para lembrar nossos governantes que isso de organizar jogos é para povos mais eficientes como os germânicos ou até mesmo para a República Dominicana.

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22 Janeiro, 2007

TATARANA 03.


Não conseguia dormir. Pensava em Midinha. Tão pertinho morava e tão longe de mim se mantinha. Será que é por causa desse jeitão caipira que tenho perto dela? Ah, uma vez só conversamos, não deu tempo de ela me conhecer diferente ainda. Não sou assim. Ela é quem faz isso de me avermelhar a cara e suadeira nas mãos. Pudesse ela sentir as batidas aqui dentro do peito, veria.

Penso se mulher tão bonita pode fazer bem a homem. Sem músculo quase nenhum e sem armas, põe jagunço gago e valentão de joelhos. Muita força ela tem. Tem também o risco corrido na eventual disputa pelo amor dela. Manuel não ta em risco? Ah, pois. Ta sim. Sem saber.

Meu medo que tenho é de garrar nojo nela depois de gozar nas suas entranhas, pois comigo sempre foi assim. Encanto meu sempre acaba ali. A diferença é a cortesia do depois. Ah não, que com ela não seria, porque mulher que se vê benfazeja além da boniteza, não se pensa assim, coloca-se em altar de igreja para idolatrar. Não, igreja todo povo freqüenta. Arrenego. Coloco numa capela dentro de casa. Minha donzela, mãe de dois filhinhos e minha santa-virgem feita em prata, feita em ouro para mim. Ali, tão quietinha a me olhar com amor.

Ah, Manuel ordinário, que com minha santinha está. Ladrão miserável. Uma lágrima nos olhos dela e é seu sangue no chão todo. Bandido. A raiva de um pensamento me toma. Será que ele bate nela? Só pode! Por isso tão quietinha. Ah, que não, com ela eu não vou deixar isso.

Levanto de chofre e já com o rifle nas mãos procuro algum lugar para vigiar a tapera deles. Não há janela minha que dê na direção deles. – Diacho. Calço as botas e desço para o quintal. Também não há meio de ver nada. Mesmo sendo quase plano daqui até lá, o mato ta muito alto. De por cima do chiqueiro só avisto uma luzinha alumiando pouco lá. Luz nessa hora? Ah que ele ta brigando com ela. Vou lá e passo fogo nele de uma vez?

Neste pensamento caminhei. Só ali próximo me ocorreu que pudesse ser um filho chorando. Que pensamento ela teria de mim se entrasse ali e matasse o homem na frente dos filhos? Casaria comigo e me amaria? Melhor ter cautela.

Perto da casinha dela há um pequeno morro, de onde escorre a água que vai dar na porta da casa. Este alto fica bem em frente à única porta da casa, ali me embrenhei. Na luneta do rifle avistei só uma réstia de luz que passava pelas frestas e às vezes as sombras denunciavam alguém lá dentro acordado, movimentando-se.

Ah, fico imaginando: Fosse comigo, luz era toda só para admirar o corpo dela. Seriam cor-de-rosa suas partes? Sendo tão branco o corpo, não havia de ser de outra cor. Alembro dos bicos rijos que avistei dentro da camioneta. Só me faz pena aquele vestido que não deixou ver os contornos dos baixos dela. Seria protuberante e cheirosa como o resto do corpo?

Meus pensamentos são interrompidos por um abrir de porta lá. Percebo que estou excitado. Na luneta do rifle surge Manuel. Chapéu amarrado no pescoço e caído por detrás da nuca. Pita um cigarro muito calmo enquanto lima uma foice.

Ali estava óbvio que ele acorda cedo para trabalhar. Ao contrario de mim, ele lavora seu solo numa esperança besta que algo cresça. Midinha aparece por detrás dele. Até despenteada é bonita. Passa a marmita para as mãos dele. Ele a puxa para um beijo. Ah Manuel sem jeito. A um dedo da morte sendo tão provocador. Sabe tu que está diante do tatarana, que no meio-tiro lhe manda uma morte inteira? Acordar a pobrezinha nessas horas para lhe servir? Traste. Merece morrer. Fecho os olhos para pensar melhor e controlar o impulso. No reabrir está ela sozinha, no meio da cruz da mira acenando um tchau com sorriso bonito. Não, não era para mim. Matasse Manuel e só conseguiria o ódio daquela uma.

Resignado, adormeço abraçado com a arma sentindo seu perfume e seu toque. Sonhei. Não lembro oque, mas adivinho com quem.

Com o sol alto acordei. Amaldiçoei. A que distância fica o sol? Mais perto ou mais longe que um tiro? Fosse mais perto iria fura-lo todo. Não. Atirar daqui é dar sinal que eu invadi terra não minha. Melhor ir embora.

No caminho de casa tudo muito igual, tudo tão sem vida e triste. O único sinal de vida que percebo é o guizo da cascavel. Ah, esses bichos malditos que abundam essas terras. Esconjuro. Pelo barulho consegui localizar a peçonhenta desgraçada. Um tiro bem no chocalho dela que é para aprender a não me provocar. Ela se some pelo meio dos espinhos, decerto arrependida do encontro. Uma idéia alumiou minha cabeça. Essas cobras matam ligeiro e ela mordendo, ninguém não é responsável. Ah Manuel. Será tú vacinado contra mordida de cascavel?

Sigo caminho de volta pra casa assoviando. Casa tão grande, dois andares e só eu. Parece um breu perto de tapera tão alegre à meia légua daqui. Mas já não a olho com desesperança, que com urgência vou botar uma luzinha bonita pra alumiar isso tudo aqui.

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18 Janeiro, 2007

AVISO

Devido aos constantes problemas com o sistema de comentários do blogger, troquei-o pelo Haloscan. Quem me alertou foi o bigode, que comentava e eu nunca recebia. Tá tudo funfando agora.

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TATARANA 02.


Já pegava gosto naquela reclusão do sítio. Me afeiçoei àquele nada-cresce. Sozinho a gente pensa melhor. No viver-viver dos bichos e no nada fazer me descobri como sou: Bicho homem. Grandes lições tirava daqueles que cagam enquanto comem, que na inteligenciazinha que Deus lhes deu assim fazem e o tempo sobeja mais pra viver. Que será que passa na cabeça dos bichos? Com isso não me aperreio muito, que me chateia mesmo é não saber que passa na cabeça de homem. Dá logo vontade de esmurrar algum vivente pra ver se fico a par do que o homem pensa. Queria saber o planejado da vida do infeliz, seus pecados, arrependimentos e amarguras. Será que gosta de ver o porco morrer? E nesse berrar se imagina sangrando um desafeto? Pensa na próxima colheita, na fartura? Qual será o motivo da vida da gente? Bem sei que cada um tem seu rumo e nunca é oque elas dizem, sempre outro. Será que sabem?

Ainda vivendo na terrinha antiga, Conheci um que se chamava Fadul. Sempre muito sisudo e trabalhador, lavorando de manhã à noite, sem dia santo ou feriado. Não ia à nossa igreja, é verdade, mas orava as tantas vezes no dia. Orava naquela sua língua de turco, cabeça no chão, apontando para Meca, sempre.

Dizia que era na sua enxada que faria os filhos doutores – monte deles, que junto da mulher eram a razão do seu viver. A pois, bem um tio meio distanciado morreu, deixando uma dinheirama sem fim pro Turco Fadul que logo largou mulher e filhos e caiu no mulherio de aluguel e nesses prazeres comprados, que o demo vende no atacado em qualquer canto, viveu sua vida, abreviada por uma briga de zona. Qual era mesmo a razão da vida dele? Será que se amarrasse o Fadul ainda enquanto pobre agricultor e açoitasse-o para arrancar o bom motivo de sua existência ele confessaria? Digo que nem ele sabia que sua alma pedia por prazeres de pecar.

É acertado que o homem tem necessidades que mulher própria da gente não satisfaz. Sei, oras. Já tive a minha. Será que se me batessem muito, torturassem eu confessaria os pecados vindouros? Falaria minha intenção na Midinha? - Midinha essa conheci na cidade.

Não gosto muito da cidade. Nunca gostei. Uma caceteação sem tamanho quando vinha o dia de comprar os mantimentos. Comprei logo tudo no armazém do Honório que era pra não ter que ficar rodando muito. Resolvi de jogar um truco, menos para relaxar do que para saber, com cautelas, onde encontrar uma boate. Por me faltar os jeitos de modos e gritos que o jogo do truco exige, e com aquela gritaria de seis, nove e doze, me rupiei e perguntei logo indiscretamente da mesa pro balcão. “- Honório, onde eu acho um bar de putinhas por aí? To carecido de uma mulherzinha” a mocinha que trabalhava ali ruborizou e saiu mansa. Mas ninguém nem não me importunou, e um finório Zé Alceu me deu a dica. Naquela hora da tarde, só Ana Cascuda. Deixei minhas compras ali, pegava na volta e fui rumo a tal Ana Cascuda.

Lugar feio e fedorento. Gente molamba e putas de certo arrenegadas em todos os outros cabarés. Faziam enorme algazarra entre os bêbados. Nem não fui apercebido no entrar, só me avistaram com o parar da gaita do cego, assustado com o estrondo de um infeliz que dormia na mesa caindo no chão no empurro meu. “Dorme aí que eu vou sentar”.Lugar de bêbedo dormir é em cadeira? No chão escarrado ficou bonito, como reclamasse, cuspi sobre os queixos e ele se aquietou.

Ana Cascuda logo veio, mais feia que qualquer uma das putas e cheia de dedos. Mandou o cego voltar à sanfona e me pôs uma cerveja de cortesia. Disse logo a ela que queria uma mulherzinha e escolhi a menos feia, que se apoiava no colo de um crioulo. Vi que ele não gostou. Levantasse, era tudo que eu queria. Não gostava de ver as fuças dele e com gosto fazia fogo no desinfeliz. Ana Cascuda, antes de qualquer coisa, arrazoou que os clientes novos têm preferência, e seria uma honra ter o tão ilustre Tatarana entre os clientes da casa. O negro cedeu, sem resmungo.

Já desentendi. Aquele apelido foi o chefe o primeiro e único a pronunciar, dito em pé de ouvido como foi, haveria alguém escutado? Algum viu o rastro da bala a ligar eu e o prefeito e à boca miúda espalhado? Que fosse. Tinha coisa mais precisada de urgente para resolver. Subi pro quarto com minha morena.

Com jeito mandei que desvestisse as roupas e com nojo possui-a. Depois da primeira o nojo me tomou conta, o cheiro me dava ojeriza e vendo o corpo, arrependimento. Não tinha como dar uma segunda. Mais nojo tive no sorriso de deboche, sorriso negro de dentes podres e faltantes em contraste com dentinho de ouro. Sorriso que desmanchei com uma fivelada da cinta. Ainda mal montado nas botas fui-me embora. A negra ali, sem entender, com as mãos duas no focinho lá ficou.

Voltei ao armazém do Honório pegar meus mantimentos já de noitinha, quase no fechar. Fui salvo pelo casalzinho retardatário que foi se arranchar tarde. Casal díspar. Ele já grisalho e meio careca e ela tão novinha e bonita. Dois meninos, meio crescidos e meio encapetados arrodeavam pedindo de um tudo. Seriam filhos?

Enrolei algum tempo, coloquei meus tarecos na caçamba da camioneta e indaguei o grisalho quando este saia com a carriola de mão abarrotada: “- pra onde vai, mano velho?”. Meia légua além do meu sítio não me faz trabalho, ia ajudar o sujeito. Nem foi companheirismo meu aí. Mesmo não desgostando de ver o alívio dele e o bom juízo que ele me fez, mas aí, no meu eu, vendo a mulherzinha dele ali, já tinha pecado e ele seria um meu inimigo. Ajeitei as compras, a carriola e o marido com as crianças na caçamba, que iam faceiros como fosse desfile de fanfarra, e eu faceiro com a mocinha ao meu lado, dentro do carro.

Não conseguia tino pra conversa, coisa que só mulher muito bonita sabe fazer na gente, um não raciocinar sem fala nem ação. Pude admirar as mãos miúdas sobre o colo perfeito. Um pouco mais abaixo, via-se pouca coisa por sobre o joelho, mas via pelo contorno do vestido que eram pernas bem torneadas, pernas compridas, pescoço comprido e fino e cabelo bem preto e comprido contrastando com sua pela alva de sorriso perfeito. O perfume era oque mais me agoniava. Não perfume, mas o cheiro natural de uma mulherzinha asseada, um cheiro doce e suave. Punha-me louco.

No não saber oque falar, perguntei o nome – Cleomilda – disse ela, logo emendando o que o nome do marido era Manoel e disse o dos filhos no mesmo fôlego, que por não estar prestando atenção, mão alembro mais. Vi que ela respirava forte, estaria assustada, estaria com medo ou excitada? Isso queria saber dos pensamentos dela, queria saber porque com homem tão medonho se casou. Aí vi que pensamento se tira é com cautela e artimanhas de conversa. Não adianta bater. Ainda mais em mulher bonita.

No descarregar das compras, sêo Manuel me ofereceu um café. Aceitei. “- Midinha, passa um café fresco pro amigo”. Midinha, repeti eu. Esse nome carinhoso caiu bem em minha boca. Tomei o café ouvindo o falar irritante do sujeito e a menina não mais vi. Fui-me embora pensando como me aproximar.

Essas cautelas, jogos de sedução é que me irritam. Não quero a menina a força, quero gostada de mim. Mas como? Se eu passo fogo no velho, ela não me olha mais. Imaginei aquele imundícia possuindo tão jovial e belo corpo. Me deu muita raiva. Fiz fogo e chuva de balas mandei a esmo. Nesta, um dos cabritinhos não escapou.

Olhando o bichinho morto, pensei: Talvez assado, como um agrado de bom vizinho.

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TATARANA 01.



Atraído por uma proposta besta, vendi meu pedaço de paraíso, minha alegria e meu sustento para comprar este gigantesco inferno, terra onde nada cresce, onde a chuva é só o castigo divino a complementar o humano. Mosquitos são os que abundam mais, junto de serpentes e aves de rapina que nem não dão chance dos corpos tentarem fertilizar o solo e logo estão dando bicada na beira do cu dos animais ainda mal-mortos.

Foi por causa destas aves que aprendi a atirar. Gostava de ver aqueles bichos feios, sempre de luto a tombar por sobre uma cerca, aquelas penas todas em rebuliço, mostrando que o tiro foi certeiro. Um alvo bacana, sem fim e barato. Logo estava derrubando os bichos em pleno vôo.

Naquele nada-fazer e no só viver por viver, aquelas brincadeiras foram me dando gosto. Na vadiagem o Demo dá aula e bons alunos faz, dizia mamãe. Eu estava formado.

Aquela fama de atirador percorreu aquela terra, fiz amigos, vinham conferir de perto o como eu mandava a morte em bala certeira. Alguns pediam dicas e tentavam aprender, mas por logo se diziam que aquilo era dom, que eu devia de ter sido atirador bom em outra vida, pois não errar uma moeda atirada à 20 braças de distancia era coisa muito incomum.

Logo veio a primeira oferta de trabalho. A paga seria muito boa, mas oque me fazia gosto era a arma que receberia para executa-la: Um rifle M16, americano, arma de precisão. Um tiro, uma morte. Diante daquele instrumento, nem pensei no que teria que fazer para obtê-lo, pouco me importava, desde que aquele fosse o meu instrumento de trabalho que o resto ao inferno fosse.

O Alvo seria o prefeito. Sujeito metido a botar a lei em tudo, acabou por se meter em políticas arriscadas. Sabia os riscos que corria. Quase nunca saia do seu gabinete e quando fazia era às pressas, cercado de seguranças. Uma aproximação não era fácil, por isso que eu fui escolhido. Para acertar de longe. Sem erro, sem alerta.

Não foi difícil. O coice da arma faz gosto, o cheiro da muita pólvora do projétil é agradável. Para garantir a precisão, me deram uma luneta acoplável. Trazia tudo bem pertinho do cano do cospe-fogo, achei bacana, mas para mim nem não foi preciso. Gostei de tê-la ali apenas para olhar mais de perto o corpo estendido enquanto os seguranças com cara de bobos procuram se esconder e revidar a esmo. Acho graça.

Quando o rebuliço se acalma e começa a ajuntar os primeiros curiosos, resolvo ir ver de perto o estrago que o chumbo faz em gente. Já ali, perto do defunto, pouco pude ver, pois a roda de gente já era muita e o chefe, a quem soube ali vice-prefeito, agora, diante do corpo, já prefeito, me olhou feio. Resolvi mostrar minha frieza e aproximei-me:

- O que houve? - Perguntei
- O Homem foi ferido, não vê?
- Puxa, que cagada. Foi sério?
- Uma bala espatifou a cabeça dele!
- Puxa, então ta bem ferido mesmo, não é? ? Demonstrando toda minha perplexidade.
- Ferimento fatal!
- E qual a gravidade?
- Não brinca não, tatarana, agora, some daqui e fique em casa até eu lhe chamar novamente. Some, tatarana.

Tatarana, nem sei oque isso quer dizer, mas gostei. ? Tatarana ? soa bem.

Peguei a arma e esconso voltei ao meu sítio. Duas cabras haviam parido. Me deu vontade de treinar tiros nos cabritinhos, mas vi as coisas caminham juntas: No bom, o bom no ruim a miséria. Deixei os bichos viverem.

Depois soube, que como eu, havia muitos outros ali, mas não de pontaria acertada como a minha. Nesta terra, oque dá é a política e a política precisa em muito da jagunçada. Mercado concorrido, mas neste mercado, eu tenha diferenciais: A pontaria já falada e refalada e oque vim descobrir depois, nos pés do morto: O gosto de ver o sangue escorrendo por fora das veias.

Este gosto logo tingiu de vermelho as verdes lembranças que tinha da terrinha e este sol vermelho a refletir na vermelha areia me fez entender que Deus dá a cada lugar a paisagem que os homens precisam. As aves pretas no meu quintal já nem me incomodam, já acho as danadas bonitinhas. Nem não faz gosto de lhes chumbar, só faço-o na impaciência do não chamar do chefe.

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Uma explicação

Resolvi mandar o tatarana cá para o Wormelho. Acho que para os padrões do Vocatus /Abobra tá muito gay e sem graça e como esse blog tá mó mortão mesmo...

Eu, particularmente gostei deste personagem, mesmo sendo claramente inspirado no Livro Grande Sertão - Veredas, do João Guimarães Rosa, procurarei dar caminho diferente ao de Riobaldo. Algumas semelhanças não há como não ter. A Mira, o muito pensar que se desenvolverá e um amor proibido. Sei lá, não tenho nada traçado, vamos vendo onde vai dar.

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